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  • Quebrando o Divã

"Você não sabe o que você não sabe"

Quando se estuda Psicanálise pela Psicologia ou a Mente pelas abordagens do Budismo, começamos a perceber que a maior parte de nossos conteúdos estão em um lugar secreto e obscuro chamado "inconsciente". Ele pode ser tanto individual como coletivo (incluindo questões familiares, sociais, humanas e planetárias).


O homem ocidental pós-moderno tende a valorizar a mente que se relaciona com a razão, com a cognição, com a objetividade e com a materialidade (sendo a ciência tradicional o maior resultado desta construção), super valorizando os conteúdos conscientes.


No entanto, nosso ponto de partida como humanos se deu de forma mística e divina, características estas que ainda se encontram registradas em nosso inconsciente coletivo, mas pouco reconhecidas quando nos relacionamos com a natureza das coisas. A mente dita "racional" valoriza o que pode ser mensurado, mas não necessariamente sentido, intuito ou percebido, e a materialidade se sobrepõe ao sagrado, muitas vezes o ignorando ou negando este aspecto do homem primitivo que ainda nos habita.


Nessa desconexão entre o sutil e o objetivo, fomos educados (formal e informalmente) a valorizar aquilo que pode ser mensurado por uma régua criada pela razão. Poucos de nós teve acesso a uma profunda conexão emocional, intuitiva ou subjetiva. Desde pequenos, através da escola, fomos treinados a pensar com o lado esquerdo do cérebro, e aprendemos a acreditar em "fontes seguras" de informações (externas ao nosso ser) para nos posicionarmos ou tomarmos decisões individuais ou coletivas.


Condicionados dentro de um sistema que se encontra há tempos doente, e usando os recursos que este sistema nos proporciona, achamos que tudo sabemos. O treinamento que recebemos daqueles também treinados dentro deste sistema acaba tido como "verdade", e pouco questionamos (ou mesmo podemos questionar) sobre saberes que destoam daquilo que está sendo implantando em nossas mentes.


E assim crescemos: na maioria das vezes, sem nenhuma ou com pouca educação espiritual/emocional oferecida de forma neutra ou incondicional por pais, professores, instituições e grupos a que pertencemos dentro de nossas culturas. Nesta "Matrix", somos sistemas dentro de sistemas. E isso acaba por nos orientar o olhar a direções que são apenas mais uma das várias direções que um olhar pode tomar.


O que está em nosso campo de consciência é muito pequeno comparado com o mar de conteúdos que se alojam em nosso inconsciente, muitas vezes trazidos à tona em forma de sombras que se expressam por padrões repetitivos de comportamentos, doenças, conflitos, perdas ou desequilíbrios.


Achamos que "nos sabemos" ou sabemos de tudo baseados em um campo muito limitado de nossa consciência, nessa percepção que foi programada e condicionada a ver o que vemos hoje da forma como vemos.


De que maneira poderíamos nos abrir para um novo olhar? Se alguém tivesse essa resposta, ela já teria sido vendida a valores milionários (aos corajosos que querem pagar o preço de se desconstruir para se encontrar). Porém, questionar aquilo que ouvimos, vemos e percebemos já é um bom começo. Exercitar a inteligência para além de pensamentos lineares e aparentemente lógicos: será que o que eu vejo/penso é o que realmente me parece? A lógica que eu aplico a uma situação está de acordo com a que aplico a uma outra parecida? Ou existe incoerência no pensar que, de tão estruturado e tido como verdadeiro, sequer pode ser questionado "para o meu bem"?


Explorar os aspectos da nossa mente e questionar aquilo que recebemos de programação desde a infância é um grande ato de coragem e desbravamento do Ser, especialmente nos dias atuais. Sem uma certa desconstrução, apenas "adicionando itens" ao nosso campo consciente (onde se encontra o ego, que quer certeza e controle), dificilmente nos conheceremos de maneira integral. Se questionar e manter a questão aberta, por tempo indeterminado, sem expectativa de resposta: eis um grande exercício de autodescoberta.


E você, tem se permitido tal exploração?

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