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  • Quebrando o Divã

O experimento da "face imóvel"

Lisa Barrett, psicóloga norte americana, em seu livro "How Emotions Are Made: the secret life of the brain" (Como são feitas as emoções: a vida secreta do cérebro, em tradução livre para o Português) demonstra como as emoções são construídas a partir do reconhecimento de emoções anteriormente experimentadas e validadas pelo cérebro.



Os experimentos mais antigos com expressões faciais definiram que existem "emoções básicas - inatas e universais" que qualquer ser humano é capaz de reconhecer, independente da cultura ou da língua. Barrett, no entanto, descobriu que isso não é verdade. As emoções são "conceitos aprendidos" que variam de acordo com a cultura.


O cérebro é como um cientista: ele se utiliza de experiências anteriores (passadas pelos pais ou aprendidas individualmente) para validar a experiência atual. Assim como no ensino de um novo idioma, quanto maior o "vocabulário emocional" de quem ensina (no caso, os pais ou os cuidadores), maior a probabilidade da criança ampliar a sua linguagem emocional. Ela tem uma propensão a ser emocionalmente mais inteligente.


Ou seja, quanto menor o repertório emocional de uma pessoa, mais alta é a probabilidade de ela ficar presa em um padrão repetitivo de emoções por desconhecer o espectro mais amplo da emoção que se apresenta no momento em que ela pode ser comunicada ou transmitida (verbalmente ou não).


Além disso, Barrett também descobriu que os músculos da face humana são mais complexos e capazes de expressar uma variedade mais ampla de emoções que vão para além das emoções clássicas descritas em antigos manuais. Assim como existem diversas palavras para comunicar emoções quando se tem um vocabulário emocional ampliado pelo aprendizado, também os músculos da face se articulam de formas diversas para expressar "tons" de uma mesma emoção, algo que também é aprendido desde a infância, de acordo com a cultura na qual a família da criança se encontra inserida.


E o que isso tem a ver com a "Face Imóvel?"


Na década de 70, o psicólogo Edward Tronick, especialista no estudo da relação de bebês com seus cuidadores, desenvolveu um experimento chamado "Still Face" (Face Imóvel, em tradução livre para o Português).


Durante o experimento, Dr. Tronick percebeu que, na fase de ausência de estímulo facial/emocional por parte dos pais, o bebê reagia de forma a obter alguma resposta - ou seja, a confirmação positiva de conexão humana, tão necessária para a sobrevivência da nossa espécie. Sem conexão emocional, bebês humanos não sobrevivem! Na ausência de resposta emocional (conexão), o bebê entrava em estresse até o ponto de não mais se envolver com o cuidador, ficando apático ou indiferente à relação. Neste experimento, após o período de desconexão, quando a mãe ou o pai voltava a interagir com o bebê, este rapidamente regulava suas emoções naturalmente.


Ele então percebeu que é através das relações (conexões) que os bebês regulavam suas emoções. E, como seres relacionais que somos por natureza, esse mecanismo se estende ao longo de toda a vida, inclusive na fase adulta, quando conexões podem se repetir inconscientemente (arrastando padrões aprendidos na infância) ou porque, como seres relacionais, precisamos de feedback externo para nos regularmos emocionalmente.


O que esse experimento nos mostra hoje?


Quando me mudei de país, em 2017, apesar de já falar Inglês fluente e ser uma adulta viajada e educada intelectual e emocionalmente, tive dificuldade de adaptação, pois não apenas as expressões e modos dos americanos (ou estrangeiros que aqui residem) se diferenciavam do que eu tinha aprendido como brasileira, como também o tom de voz e o ritmo na fala facilitavam ou dificultavam o meu entendimento e, consequentemente, a minha resposta e expressão (que interferiam positiva ou negativamente nas novas conexões).


NESTE MOMENTO ATUAL... quando se decidiu o uso coletivo, em escala global, de máscaras ou lenços faciais para a diminuição da propagação do vírus (ainda que não se tenha evidência científica sobre as máscaras da maneira como são usadas), não se previa o impacto que isso poderia ter sobre a saúde emocional de adultos, muito menos de crianças.


Nos Estados Unidos, crianças a partir de 2 anos são obrigadas a usar máscaras em locais públicos fechados, enquanto que no Reino Unido essa obrigatoriedade se dá a partir dos 11 anos (critérios diferenciados adotados como resposta para o mesmo estímulo). Além da parcialidade da expressão facial, temos ainda o comprometimento da voz (abafada) como meio de expressão das emoções.


Apesar de os protocolos que incluem lockdown serem questionados por órgãos internacionais e agora locais (como o CFM), o tempo em que estamos inseridos nesta "nova normalidade" já foi suficiente para nos fazer adotar práticas que, mesmo questionáveis, viraram verdades absolutas.


Além das crianças estarem sendo expostas umas às outras de forma parcial (expondo apenas parte do rosto, que é capaz de comunicar emoções infinitas no momento em que elas mais estão aprendendo), também os professores e cuidadores estão comunicando emoções "pela metade", assim como famílias que, adotando o uso de máscara dentro de casa, deixam de 'engrossar' o vocabulário emocional das crianças - e dos adultos!


"Mas isso é por pouco tempo"...


Na realidade, não sabemos por quanto tempo estaremos sujeitos a tais ordens. Existem muitas questões por trás dos protocolos impostos (que nem mesmo quem os impõe os seguem) que favorecem diversos setores e segmentos, e nunca saberemos, ao certo, o impacto que o vírus (e exclusivamente o vírus) trouxe à atual humanidade.


Mas a reconfiguração emocional da humanidade já é real. Crianças que nasceram no início de 2020 e estão sendo afastadas de convívio social estão perdendo marcos importantes do desenvolvimento infantil (como aprender a se relacionar com estranhos e confiar nestes vínculos) que talvez não sejam recuperados posteriormente.


Aqui nos Estados Unidos, crianças que foram isoladas no porão ou trancadas em seus quartos tendo como meio de comunicação babá-eletrônica ou chamadas por FaceTime, e foram alimentadas por bandejas, sem contato com seus cuidadores - tudo em nome da proteção contra o vírus - já têm marcas profundas em seus desenvolvimentos. Para uma criança, não importa o evento externo: se ela é abandonada desta forma, a culpa é dela. Em sua mente, o adulto é uma referência e ele não pode lhe fazer mal. Isso é abuso infantil, por melhores que sejam as intenções dos pais ou cuidadores.


Crianças que foram amamentadas com mães usando máscaras perderam uma parte significativamente importante das emoções que são ensinadas e aprendidas da mãe ao bebê. Independente do tempo que talvez (talvez) tenhamos de resgate lá na frente, o que foi perdido provavelmente não se recupera.


Como exemplo de relação inicial disfuncional com cuidadores, temos o clássico caso de Unabomber: o famoso terrorista americano que tinha como ideal um mundo anárquico. Theodore Kaczynski - o Unabomber - foi uma criança que, por problemas de saúde, teve que ser isolado e afastado de seus pais enquanto bebê para tratamento em um hospital pediátrico. Apesar de seus pais serem muito amorosos, perceberam que Kaczynski voltou do hospital com comportamentos estranhos e, apesar de ter se ajustado à escola até o quarto ano e sua inteligência intelectual ser alta para sua idade, emocionalmente ele tinha dificuldades de adaptação, o que ficou ainda mais comprometido por ter adiantado de ano na escola em função do seu alto QI.


Apesar de nossa sociedade valorizar o intelecto, a ciência (hoje se mostrando sem muitas evidências) e a razão, não somos apenas seres racionais. Somos, acima de tudo, seres RELACIONAIS. Sem conexões humanas, nos tornamos disfuncionais. Sem expressão das emoções em seu amplo espectro com possibilidades de feedback, adoecemos ou, pior, nos matamos. E essa triste estatística cresce silenciosamente, cada dia mais...


Como nos posicionamos humanamente em tempos de dúvidas e tantas confusões?


Uma coisa é fato: a vida nunca foi segura. Sempre houve risco implícito no viver, e nada pode garantir que vamos estar salvos do que quer que seja. Outro fato é que, por mais que o número de mortes seja mais alto hoje, ele nunca foi baixo. Nos Estados Unidos, até 2019, morriam 2 pessoas por segundo, por causas que hoje não se relata muito (pneumonia, enfarto, gripe, erro médico...). Apesar de sempre termos vivido sob a epidemia de doenças modernas (causadas especialmente por maus hábitos), a mídia nunca reportou números de morte segundo a segundo como se faz atualmente. Assim, nunca estivemos sob a influência de tamanho estresse e medo, como estamos desde o começo de 2020 - e isso é algo NOVO.


É tempo de pesquisar, ler, questionar, sair de frente da TV e se afastar das mídias de massa que têm como propósito espalhar pânico e caos. É hora de buscar apoio em grupos que podem servir como facilitadores de saúde. Lembrando que saúde não é ausência de doença... saúde é algo muito mais complexo que isso, e inclui o nosso Poder, a nossa Vontade e a nossa Divindade agindo na Terra.


O estado de conflitos, dúvidas e incertezas em que nos encontramos nos coloca facilmente em estresse 24x7. É impossível não ficar doente desta forma. A própria OMS já relatou, por vários anos, que a principal causa de internação se dá por estresse. Nosso sistema imunológico depende de uma certa paz e tranquilidade para poder combater ou neutralizar microorganismos perniciosos, e manter e estimular os bons, que sempre existiram aos trilhões dentro de nossos corpos, sendo necessários para a nossa sobrevivência na Terra.


Se você se importa com a saúde mental/emocional (que é um pilar fundamental para o bom funcionamento do sistema imunológico), tanto seu como da sua família e principalmente de seus filhos, então é importante sentar, ponderar e conversar a respeito dos impactos que os protocolos de proteção, ao se estenderem por mais tempo, poderão trazer aos relacionamentos, principalmente com as crianças.


Observe como estão suas emoções, dos seus filhos e familiares e procure comunicá-las. Nossas emoções se constroem em experiências validadas pelo cérebro e, como seres relacionais, precisamos do outro para regularmos nossas emoções. Inteligência emocional se aprende na prática, na troca. Não basta ler um livro, precisamos experienciar para nos humanizarmos. Expressando nossas emoções, somos mais fortes e mais saudáveis!


"Arranque sua máscara, seu rosto é glorioso" (Rumi)

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